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Enfermeiros da Marinha Grande combatem pandemia em Inglaterra


texto: Cristiana Alves / foto: DR quarta, 25 março 2020

São naturais da Marinha Gran­de e enfermeiros em Inglaterra há seis anos e meio. É em ‘terras de Sua Majestade’, mais propriamente no Frimley Park Hospital, que todos os dias enfrentam a Covid-19 e assistem a um aumento do número de doentes infectados com o novo coronavírus. Falamos de Samuel Franco e Mariana Sousa que, ao nosso jornal, confessam: “Estamos consciencializados para o risco de ficarmos contagiados”.
“Todos os dias temos cuidados redobrados e utilizamos o material de protecção, no entanto, diria que é inevitável acabarmos por ficar infectados. Apesar de termos a benesse de sermos jovens e conseguirmos curar-nos mais facilmente, não deixa de haver esta grande probabilidade de sermos contagiados”, admite Samuel Franco.
O marinhense, que faz parte do serviço de emergência do Frimley Park Hospital, conta que lida diariamente com do­entes que não são testados à Covid-19, o que “aumenta” o risco de contágio. “Todos os dias assistimos muitos doentes em situação de emergência. Com aqueles que apresentam sintomas e que acabam por ser testados, utilizamos o material de protecção. Com outros do­e­ntes que aparentemente não têm sintomas, mas que até podem estar infectados, muitas vezes não utilizamos, até porque temos de poupar o material de protecção”, refere o jovem de 32 anos.
Também a namorada de Samuel Franco, Mariana Sousa, refere que, embora o Frimley Park Hospital esteja “apenas no início da ‘luta’ contra a pandemia”, já foi pedido aos profissionais de saúde que “aproveitem o material de protecção ao máximo”.
“Só há cerca de três dias é que o nosso hospital começou a adaptar-se e a lidar mais com esta pandemia e já nos estão a pedir que aproveitemos os equipamentos ao máximo e não os estejamos sempre a retirar. Isto acaba por ser uma tarefa difícil, porque durante um turno de 12 horas e meia temos necessidades fisiológicas, necessidade de comer, e para isso temos de tirar os equipamentos e colocá-los fora”, confessa a enfermeira, de 30 anos, adiantando haver uma “evidente escassez de material de protecção”, como máscaras e luvas.
Segundo a marinhense, os profissionais de saúde estão já a sentir alguns efeitos da utilização dos equipamentos de protecção, como as mãos e os lábios secos. “É desgastante passar um turno de 12 horas com o equipamento de protecção vestido”, admite a jovem.
Dando conta que, de dia para dia, o número de doentes admitidos “está a aumentar consideravelmente”, Samuel Fran­co conta estar a ser “muito difícil prestar apoio a tantos do­entes”, quando já são muitos os profissionais de saúde a ficarem de quarentena em casa.
“É muito triste ver os nossos colegas irem para casa infectados sem podermos fazer na­da para o evitar”, refere.

“Inglaterra reagiu tarde
demais à pandemia”

A viver na cidade inglesa de Camberley - a cerca de 60 quilómetros de Londres - desde Novembro de 2013, os jovens marinhenses confessam estar “desiludidos” com as medidas “tardias” do Governo inglês e com a “despreocupação” da população. “Informação sobre a pandemia há muita, no entanto, a sensibilização e a consciencialização é que foram muito lentas. A Inglaterra teve muito mais tempo para se preparar em relação a outros países onde o vírus chegou mais cedo. No entanto, em vez de terem tomado medidas de imediato, simplesmente deixou-se andar”, afirma Samuel Franco.
Também Mariana refere que “só agora os ingleses estão a levar as coisas mais a sério”, aproveitando para elogiar o comportamento dos portugueses. “Apesar de ainda assistirmos a alguns maus exemplos, acho que os portugueses perceberam a importância de se manterem isolados para que o vírus não se propague ainda mais”, conclui a jovem. 

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