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Um ponto com sabor a vitória na Luz


José Alberto Lopes sexta, 05 junho 2020

25.ª jornada 

Tondela sofreu estoicamente as investidas do Benfica, soube contornar as duas lesões durante o jogo e evidenciou uma defesa de betão, comandada superiormente por Cláudio Ramos, para trazer um saboroso empate de Lisboa


O Tondela fez valer uma das suas máximas ontem no Estádio da Luz, interpretando o “orgulho beirão” que tanto apregoa com garra e uma entrega sem mácula. O empate final premeia a entrega dos auriverdes em campo e castiga o Benfica pela ineficácia demonstrada.

Depois de tanto tempo a desejar que a bola voltasse a rolar nos relvados nacionais, a primeira parte no Estádio da Luz acabou por defraudar, assistindo-se a um jogo de sentido único, é certo, mas sempre previsível e com baixa intensidade.
O Tondela sabia que ia sofrer a pressão dos encarnados, mais ainda depois da derrota do FC Porto no dia anterior, em Famalicão, mas foi ganhando cada vez mais confiança à medida que o tempo ia passando.
A defesa orquestrada por Natxo González chegou e sobrou para as encomendas durante a primeira parte, tendo apanhado apenas dois sustos, em remates de Rafa Silva e Vinícius. No primeiro lance, Cláudio Ramos respondeu à altura, defendendo com o pé esquerdo ao remate do isolado avançado do Benfica; no segundo lance, Vinícius, na pequena área, não conseguiu dar a melhor sequência ao cruzamento de Rúben Dias.
Inexistente em termos ofensivos, o Tondela terminou a primeira parte com o sabor de dever cumprido, regressando, tal como o Benfica, com o mesmo “onze” para a segunda parte.
À imagem da primeira parte, Rafa Silva foi o primeiro a criar perigo na etapa complementar, com um remate cruzado, aos 47 minutos, que passou junto ao poste da baliza de Cláudio Ramos. Aos 54 minutos, o guardião auriverde voltou a brilhar, defendendo com os pés um remate de Pizzi.
Com um pendor mais ofensivo, as oportunidades de golo sucediam-se para o Benfica, com Taarabt, aos 57 minutos, a “esbarrar” na eficácia do internacional português. Vinícius, aos 61’, teve nos pés uma gran-de chance de abrir o marcador, mas o central Philipe Sampaio, outra grande exibição, desviou a bola para canto.
Bruno Lage altera frente
atacante para o assalto final
O treinador do Benfica apostou, então, numa dupla de pontas-de-lança, lançando Dyego Sousa e tirando o desinspirado Weigl. Os encarnados aumentaram a pressão sobre o último reduto do Tondela, que ia sofrendo, mas resistindo.
O Tondela rematou à baliza pela primeira vez com perigo aos 75’, por Richard, que por muito pouco não abriu o marcador. Respondeu Bruno Lage com a troca de Vinícius por Seferovic, mas foi um defesa que esteve perto de marcar, com Rúben Dias a cabecear ao poste.
Para os últimos quinze minutos, os problemas físicos de Ricardo Valente e Filipe Ferreira levaram o técnico espanhol a esgotar as substituições.
Aos 80’, Seferovic teve nos pés o golo inaugural da partida, mas rematou ao lado. Os pontapés de canto sucediam-se a favor do Benfica, empurrando o Tondela para a sua área. Num deles, Dyego cabeceou à barra.
Recuando cada vez mais no terreno, os comandados de Natxo González abriram o peito às balas e foram resistindo às investidas encarnadas, com os centrais em grande plano e aquela garantia extra chamada Cláudio Ramos, sempre irrepreensível quando chamado a intervir.
O assédio final ocorreu nos sete minutos de desconto proporcionados pelo árbitro Manuel Mota. Aos 94’, Petkovic negou o golo a Dyego Sousa em cima da linha. Comandados no campo por Taarabt, o melhor encarnado, o Benfica não deixou de tentar chegar ao golo, mas sempre mais com o coração do que com a cabeça, deixando escoar o tempo e desperdiçando a oportunidade de chegar ao primeiro lugar da Liga.
O Tondela, com este empate, sobre ao 13.º lugar e continua a boa senda de resultados fora de casa.

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