Alta velocidade em Leiria e a lenta reação dos Leirienses
Como quase todos sabemos, a alta-velocidade, ou TGV como se diz de forma simplificada, vai mesmo passar por Leiria. Vários concelhos do distrito e o próprio concelho de Leiria vão ser afetados. Sabemos que o TGV pode ser imensamente importante para Leiria, transformador mesmo. Podemos aspirar a ser uma região ainda mais dinâmica, atrativa e com aspirações a melhores condições de vida.
No entanto, o TGV não virá sem custos e impactes ambientais. Existem dois traçados em debate. Um deles, o Traçado A, prevê várias demolições de habitações, instalações e armazéns de empresas. Mesmo nas zonas onde não se preveem demolições, os impactes ambientais são imensos.
Ruídos e a destruição de solo que desempenhavam barreiras e enquadramentos ambientais de proteção e equilíbrio ecológico de alguns lugares. Com esta opção, as freguesias de Barosa e Parceiros serão muito afetadas, especialmente os lugares de Sobreiro, Mouratos e Pernelhas. Estes são os locais que melhor conheço pois são zonas onde me desloco e de onde sou natural. Outros serão também afetados com certeza. Mas existe alternativa (B) e possivelmente muitas outras correções que podem ser feitas.
Por isso fui procurar informações sobre os processos participativos. Sei que o Município de Leiria está a mobilizar esforços e planeia fazer sessões de esclarecimento. Na freguesia da Barosa, o Movimento Cívico Barosa Viva está a tentar mobilizar a população, e sinais de que se está a propagar também na freguesia de Parceiros. Existem formulários para poder assinar nos vários espaços comerciais e de convivo da Barosa.
Está também a decorrer o processo de participação online através da plataforma Participa em: https://participa.pt/pt/consulta/linha-ferroviaria-de-alta-velocidade-entre-porto-e-lisboa--a-linha-ferroviaria-de-alta-velocidade. À data em que escrevo este texto, havia apenas 86 participações na plataforma “Participa”. Este número é preocupante, mais ainda temos cerda de 20 dias para participar. Ainda assim, é imensamente baixo tendo em conta os impactos previstos para o concelho e os lugares citados anteriormente.
Não é momento de nos deixarmos vencer pela inércia. Embora o processo participativo proposto seja imensamente pobre, não o podemos ignorar. Apesar do TGV prometer modernidade, o processo participativo desenhado é arcaico. Não se oferecem métodos alternativos de simulação e interação que poderiam ajudar a construir melhores propostas e que poderiam tornar o TGV ainda mais relevante para a nossa região.
Admito que tenho aqui um conflito de interesses, pois o TGV passa muito perto do meu mundo em Leiria e porque faço processos participativos e colaborativos de planeamento noutros territórios. Infelizmente faço poucos em Portugal, pois por cá ainda não se percebeu o valor acrescentado que podem ter. Por isso, é duplamente frustrante a nível pessoal. Ainda assim, isto não é uma questão pessoal. Não tenho a casa nem terrenos em risco direto, mas consigo colocar-me no lugar dos outros. Será que todos conseguimos? Vamos participar?