
O que pensar na hora de adotar um animal?
A adoção de um animal de estimação é um passo que deve ser cuidadosamente ponderado. Trata-se de uma decisão que provoca mudanças significativas na rotina e exige compromisso a longo prazo.
“A pessoa deve perceber qual é a intenção” e o que pretende com a adoção, alerta a psicóloga Joana Pena Ferreira.
“Não estamos a adquirir um objeto, mas uma vida que precisa de nós, que merece respeito, tempo e cuidado”, afirmou a psicóloga alcobacense, Joana Pena Ferreira, alertando para a necessidade de ter “noção” dos custos que ter um animal de estimação acarretam.
Antes de levar um novo companheiro para casa, há várias questões que devem ser colocadas: “Será que este animal se encaixa na minha vida? Será que ele tem espaço para ser e estar? Será que estou a preencher uma necessidade passageira ou um vazio?”.
Outros fatores passam por perceber qual o animal que se adequa ao nosso estilo de vida, e nesse caso, Joana Pena Ferreira, sublinha a necessidade de, uma vez mais, questionar a intenção de adotar um animal. “Se for apenas por uma necessidade estética, eu acho que a pessoa deve pôr a mão na consciência e pensar que os animais têm os seus próprios habitats”, realçou, em entrevista ao nosso jornal.
A psicóloga acredita que o estilo de vida do tutor pode influenciar no bem-estar animal e na relação entre ambos. “Os animais são seres sensitivos. Pelo menos os cães têm a capacidade de sentir emoções de uma criança de cinco anos, portanto, eles têm capacidade de sentir emoções básicas como a alegria, a tristeza, a raiva”, realçou.
O facto de as pessoas não preverem os desafios de acolher e cuidar de um animal de estimação, pode resultar, muitas vezes, no abandono. Para evitar este cenário, Joana Pena Ferreira alerta para a necessidade de se fazer um “test drive” antes da adoção.
“Pedir a alguém que tenha um animal e fazer perguntas e informarem-se” antes de tomarem uma decisão precipitada. “Se eu for uma pessoa das minhas rotinas, rígida, com pouca flexibilidade e poder de encaixe, à mínima coisa vou-me frustrar com o animal e descarregar nele. É importante perceber em que nível está o meu estado psicológico”, sublinhou.