
Greve em três empresas do grupo BA Glass com "extraordinária adesão"
A Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM) afirmou hoje que houve uma “extraordinária adesão” à greve em três empresas do setor vidreiro da BA Glass, em especial na Marinha Grande e em Avintes.
“O balanço é extremamente positivo face à elevada adesão da grande maioria dos trabalhadores da BA, em especial na fábrica da Marinha Grande e na fábrica de Avintes [Porto]”, mas também na Venda Nova, na Amadora, afirmou à Lusa a coordenadora da FEVICCOM, Fátima Messias.
Segundo explicou, na fábrica da Marinha Grande, no distrito de Leiria, a greve, que termina nesta fábrica na madrugada do dia 04, “permanece ainda com uma elevada adesão e com uma permanência de trabalhadores de noite e de dia junto ao portão da fábrica”.
“Em Avintes também [houve] uma extraordinária adesão. Já há muitos anos não tínhamos tantos trabalhadores em greve, com implicações obviamente na produção e na imagem da empresa, o que demonstra que o diálogo e a negociação de facto não existem”, sublinhou a dirigente sindical.
Fátima Messias, que considerou que a greve foi “uma importante resposta que os trabalhadores entenderam dar” para serem ouvidos, revelou que a empresa não teve qualquer contacto com os trabalhadores, “nem depois da greve, nem quando tiveram conhecimento que ela se iria realizar”, quando receberam o pré-aviso de greve, cinco dias antes.
A dirigente sindical sublinhou que a BA Glass tem “oportunidade de ultrapassar conflitos, se assim o quiser”, mas “não quer, não quis e continua a não ter em conta as opiniões que os trabalhadores lhe manifestaram”.
Para a coordenadora da FEVICCOM, “o que se exige nesta empresa é que haja diálogo e efetiva negociação e já há vários anos, porque o conflito surge em 2025, na sequência de muitos anos de costas viradas para os trabalhadores, de não terem em conta as suas reivindicações salariais, dos subsídios, das condições de trabalho no dia-a-dia e do respeito pela contratação coletiva”.
Fátima Messias reforçou que a BA Glass é uma empresa “com uma excelente situação financeira, de um setor altamente rentável e que tem tratado os seus trabalhadores muito mal”.
Segundo explicou, existe um “ambiente de grande pressão, de assédio laboral sobre os trabalhadores e de falta de respeito em permanência”, situações que levaram, este ano, os trabalhadores a “dizer basta deste tipo de atitude”.
A FEVICCOM anunciou que vai solicitar mais uma reunião à empresa, com o objetivo de alcançar “resultados concretos” e com “uma outra forma de estar num processo de negociação que até agora não existiu”.
“Se da parte da empresa continuar a haver a mesma atitude, os trabalhadores com certeza vão reagir de forma negativa e tomarão as decisões que acharem por convenientes. Quanto mais silenciosa e contrária for aos interesses dos trabalhadores, mais e maiores serão as respostas”, avisou Fátima Messias.
A BA Glass tem unidades na Marinha Grande, Avintes e Venda Nova e, de acordo com a federação, têm mais de mil trabalhadores.
A paralisação decorreu de terça-feira, 1 de abril, a 3 de abril, nas fábricas de Avintes e Venda Nova.
Esta greve no setor vidreiro começou no dia 25, na Marinha Grande, em três empresas do Grupo Vidrala (Santos Barosa, Gallo Vidro e Vidrala Logistics), para “reclamar aumentos salariais dignos e a melhoria das condições de trabalho”.
“Começou na Santos Barosa, com uma adesão praticamente total desde o início da greve. Continuou na Gallo Vidro, também com uma adesão a 100% com paragem de produção, e, na terceira das empresas, a Vidrala Logistics, também teve uma grande adesão”, declarou à Lusa Fátima Messias, na quinta-feira, dia 27.