O Amor Não Tem Data
Dizem que o Natal é quando o homem quiser. Eu digo que o Dia dos Namorados deveria ser sempre. Porque o amor não se mede por um dia, mas pela constância dos gestos, pelo cuidado diário, pelo compromisso silencioso que atravessa os anos. Conheci a Isabel há muito tempo. Namorámos, casámos e construímos uma família. Juntos, percorremos um caminho longo, cheio de desafios, alegrias, conquistas e sacrifícios. Hoje, olho para trás e vejo o quanto a minha vida seria diferente sem ela. Nada seria igual. A Isabel não é apenas a minha esposa. É a minha companheira, a mãe dos nossos filhos, o pilar que sustenta o nosso lar e o equilíbrio que tantas vezes me falta. Reconheço que o amor não se resume a palavras, mas também sei que, por vezes, esquecemos a importância de as dizer. Homens e mulheres são diferentes. Aquilo que para elas é essencial – o carinho, o afeto, a atenção aos detalhes –, para nós, muitas vezes, passa despercebido. Mas isso não significa que não sintamos, que não amemos, que não reconheçamos o valor da mulher que temos ao nosso lado. A nossa vida tem sido uma autêntica montanha-russa. Entre o trabalho, os filhos, as responsabilidades, há dias em que o tempo parece fugir-nos das mãos. Mas em cada dificuldade, em cada obstáculo, tem sido ela o alicerce. Houve momentos difíceis, alturas em que tudo parecia demasiado exigente, mas nunca caminhámos sozinhos. Porque o amor verdadeiro não se mede pela ausência de problemas, mas pela capacidade de os ultrapassar juntos. Ainda me lembro de quando começámos. Partimos do zero, construímos tudo com as nossas próprias mãos. Não tínhamos muito, mas tínhamos um ao outro. E isso foi sempre o mais importante. Hoje, depois de tantos anos, posso dizer que temos mais do que imaginávamos – não em bens materiais, mas na riqueza de uma vida partilhada, de sonhos vividos, de filhos que refletem o amor que um dia nos uniu. Sei que muitas vezes me esqueço dos pequenos gestos. Sei que sou daqueles que, quando a Isabel me diz que precisa de carinho, me esforço durante dias para compensar… mas depois volto à rotina e, sem dar por isso, os gestos vão diminuindo. E não deveria ser assim. Não por falta de amor, mas porque a vida consome-nos. Por isso, além de agradecer, também peço desculpa. O Dia dos Namorados não deveria ser um lembrete obrigatório de que devemos valorizar quem temos ao nosso lado. Mas se servir para isso, então que seja bem-vindo. A verdade é que amar não é apenas sentir – é demonstrar, é reconhecer, é cuidar. "Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela." Se pensarmos bem, esta é uma responsabilidade imensa. O verdadeiro amor exige entrega, renúncia, dedicação e, acima de tudo, ação. O homem deve, se necessário, sacrificar-se pela sua esposa. Por isso, hoje escrevo para a Isabel. Mas talvez esta seja também uma reflexão para todos os homens que, como eu, amam profundamente as suas esposas, mas que, no meio da correria do dia a dia, se esquecem de o dizer com a frequência que elas merecem. Que este texto possa servir de lembrete, de inspiração ou, simplesmente, de incentivo para um gesto que, por mais pequeno que seja, pode fazer toda a diferença. O amor não se mede em palavras, mas também se diz.
Mas isto sou eu.